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O ANDARILHO IX: “O BEIJO DA MORTE”

Posted in Narrativos with tags , , , , on 14/03/2010 by Carlos Jorge

O Beijo da Morte

O ANDARILHO IX: “O BEIJO DA MORTE”

De olhos fechados, ele apenas sente…
…a angústia em sua alma se dissipando.
É a morte que está o chamando.
Ele nada ouve, ele apenas sente…
A porta está se fechando, Andarilho.
Cuidadosamente ela vem se aproximando,
Vestido de seda, cabelos longos, pele branca…
Ela lhe toca no rosto e ele apenas sente…
Os sentidos vão se perdendo.
A morte está lhe beijando…
Seus olhos permanecem fechados…
Seus dedos arranham o chão…
A agonia da dor que não dói.
Morrer é como nascer,
Só que ao contrário…
Ele luta para poder respirar,
Mas aquele beijo lhe tomar o ar.
É a luta final do Andarilho…
Porém, esta não se pode vencer.
Pois a morte vence a vida,
Após o ultimo pulsar do coração,
Os lábios gélidos da morte o soltam.
Está feito… O Andarilho está morto.

Carlos Jorge, 14 de março de 2010

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O ANDARILHO VIII: “HOJE”

Posted in Narrativos with tags , , on 01/11/2009 by Carlos Jorge

Hoje

O ANDARILHO VIII: “HOJE”

Hoje! O dia das mágoas…
o momento das tristezas,
é o dia em que a morte entoas
o momento das incertezas.

Será o agudo som do silêncio eterno?
Será hoje o dia em que serei chamado?
A vida me tratou como um subalterno…
pelos lábios da morte sou aclamado.

Sem sair do lugar, seus passos o levam,
e sem saber aonde vai, ele se pergunta se deve…
E aos poucos o Andarilho vai percebendo.

Estou padecendo lentamente,
não há dor nem sofrimento
estou apagando vagarosamente,
Não exalto e nenhum lamento.

Se quiseres levar-me agora
esteja a vontade para o fazer,
pois não sou eu do dono da hora
Eu não tenho medo de morrer…

A porta abre caminho, e então é atravessada.
Seus olhos abrem para se fechar novamente,
O vento sopra forte para a porta ser fechada…

Carlos Jorge, 1 de novembro de 2009

O Andarilho VII: “O Dia Seguinte”

Posted in Narrativos with tags , , , , , on 18/08/2009 by Carlos Jorge

O ANDARILHO VII: “O DIA SEGUINTE”

No silêncio de seu pensamento,
A sua prece foi atendida.
E com o seu consentimento
Começa a decadência do Sol.
O Andarilho continua a caminhar,
Nem o adormecer do astro rei
Faz o errante se admirar.
Não há motivos para espanto
Tal cena se repete infinitas vezes,
Pelo menos por enquanto…
E ao levantar do doce luar
Seus passos começam a diminuir,
E sua cautela começa a dobrar.
O Andarilho não precisa dormir
Pois um presságio ele sente…
E seu coração mais forte palpita
Há uma farpa em sua mente,
Pelo amanhã ele anseia,
Pelo destino ele está a esperar,
Poderá ser a sua última ceia…
O dia seguinte poderá te matar.

18 de agosto de 2009